Aparências e Avaliações

O que dizemos, simplesmente com nossa presença?

Por ATALIBA GONÇALVES

O cuidado com a aparência pessoal vem atravessando séculos, e influenciando nos relacionamentos. Abrange vestuário, penteado, joias, maquiagem e os atributos pessoais como o sorriso, forma de se expressar, simpatia, empatia, etc., eis que são fatores facilmente identificados. Maioria das vezes, o grau de avaliação que adotamos levam em conta o até aqui explicitado e algo mais, chegando a ser, por vezes um despropósito ditas exigências, considerando ser o indivíduo magro ou obeso, alto ou baixo, branco ou de cor, opção religiosa ou sexual e por aí segue. Esta “leitura” superficial é a principal razão de nos equivocarmos em nossas avaliações e, por consequências, nos darmos mal nos negócios.

Qualquer tipo de avaliação deve levar em conta o grau de conhecimento que temos sobre o avaliado, mas, lamentavelmente não é o que ocorre. Ademais, se eu nem me conheço como poderei me avaliar e se não conheço a essência dos demais, sua educação, valores e cultura, como emitir qualquer juízo sobre os mesmos?

Conversando com um bem relacionado amigo meu, perguntei sobre o que ele achava de determinado médico de suas relações. Resposta imediata: – Ahhh, Dr. Fulano é um homem muito bem-sucedido, tem um apartamento de mais de um milhão, na Av. Boa Viagem, uma casa em Porto de Galinhas, uma bela lancha, carros importados e consultório num empresarial belíssimo, pode ir lá sim, caso queira consultar. Não só não fui, como a resposta não me satisfez. Eu queria saber era a avaliação sobre o médico como profissional, como pessoa, sua experiência, grau de segurança, ética e não uma relação de bens.  

Particularmente, sempre busquei fixar-me mais na realidade do que nas aparências. Fui descobrindo situações inusitadas entre diversos relacionamentos, inclusive profissionais, que me levaram a um longo estudo e reflexão. Eu precisava deixar de ver as pessoas como personagens, superficialmente, superestimando alguns e subestimando outros, considerando poder e status, passando a vê-las como realmente eram, seus principais valores, respeitando-as e valorizando-as pelo real conteúdo e não pelos rótulos.

Uma avaliação consistente ocorre através do conhecimento amplo, da aguçada percepção, com uma clara visão dos seres e das coisas. Somente poderemos tratar de negócios com sucesso, conhecendo as razões de determinadas reações, como envolver e atrair as minhas “presas”, quais suas expectativas e gerando novas necessidades que seriam resolvidas por mim, através de minhas ofertas.

Entra numa loja VIP, uma senhora muito bem vestida, sendo imediatamente atendida pela vendedora, que possivelmente tivesse pensado:  – Nossa! Vou vender a loja inteira para essa socialite. Vendeu apenas um pequeno anel infantil, imitando prata, para presente.

Já, numa revenda de automóveis de luxo um senhor humilde, vestido de forma rústica e com um pacote enrolado em jornal, sob o braço, tentava adentrar na loja. Os vendedores procuravam impedi-lo discretamente, temendo gerar um problema com os demais clientes, todos VIPs. Veio o gerente e calmamente explicou que ele não poderia comprar nada ali. O cidadão sorriu e, já se afastando, perguntou: – “E essa caminhonete, quanto custa? ”

O gerente respondeu que era muito dinheiro, muito mesmo. O cliente então, abriu o rústico embrulho deixando cair sobre uma mesa vários maços de dinheiro, perguntando: –  isso dá? Era muito dinheiro também, fruto de exaustivo trabalho de parte de sua vida. Levou a bela caminhonete.

Pensemos nesses dois exemplos. Neste momento em que enfrentamos situações adversas e processos de vendas um tanto diferenciados. Isso requer mais estudo, buscando meios de atingir a nossa clientela, mesmo sem estarmos presenciais e uma das qualidades que me parecem importantes é ter uma comunicação clara, demonstrar amplo conhecimento do que fazer e como fazer, envolvendo, persuadindo e sendo autêntico como pessoa e como profissional, afinal, o foco do bom negociador é a atração e satisfação total dos clientes.

 

 

” Já, numa revenda de automóveis de luxo um senhor humilde, vestido de forma rústica e com um pacote enrolado em jornal, sob o braço, tentava adentrar na loja. Os vendedores procuravam impedi-lo discretamente, temendo gerar um problema com os demais clientes, todos VIPs. Veio o gerente e calmamente explicou que ele não poderia comprar nada ali. O cidadão sorriu e, já se afastando, perguntou: – “E essa caminhonete, quanto custa?