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Falta competência social

É uma idéia recorrente a de que vivemos em dois Brasis: um próspero e que cresce visivelmente, repleto de oportunidades, tecnologias e inovações, onde as técnicas e competências são recursos disponíveis no dia-a-dia das organizações (quer públicas ou privadas), que são lideradas por empreendedores, gestores e/ou profissionais qualificados e adequadamente remunerados; outro débil, repleto de problemas, incompetências, abandonos, burocracia e contingenciamentos, e que, infelizmente, também cresce visivelmente, aumentando o abismo social entre os privilegiados do primeiro Brasil e os excluídos do segundo.
 
Aplicando um foco comparativo entre o segundo setor (empresas privadas) e o terceiro setor (organizações sociais), objeto de nossa análise neste artigo, é visível que este segundo não obtém os mesmos resultados que o primeiro, haja vista que o retorno sobre o capital investido (mesmo considerando-o como retorno social), é, na quase totalidade dos projetos, incompatível com o volume de recursos investidos e que, por esse parâmetro, jamais teríamos sua aplicação pela iniciativa privada, que busca retorno concreto sobre os investimentos realizados.
 
Mas, qual o principal fator que diferencia esses dois setores e que podemos definir como responsável pelo sucesso de um Brasil e o fracasso do outro? A resposta pode estar nos empreendedores e no grau das competências humanas aplicadas em cada um deles. Os mais qualificados e competentes do primeiro Brasil têm a capacidade de transformar suas visões em algo concreto, utilizando adequadamente recursos financeiros, estratégias, relacionamentos e todos os instrumentos à sua disposição, de modo a obter o sucesso desejado. Do outro lado, os que, esforçada e dedicadamente, desenvolvem suas atividades e que, apesar de também terem seus sonhos e os recursos necessários, não conseguem obter resultados compatíveis com o esforço empenhado, por não disporem de instrumentos adequados e estratégias capazes, mas, principal e essencialmente, por não terem a lógica e as características e qualificações dos empreendedores de sucesso.
 
Dentro desta lógica, imaginemos um torcedor de um clube de futebol, apaixonado pelo seu time, conhecedor de sua história, escalação, enfim... tudo a seu respeito. Bem, então por que não escalá-lo para jogar? Não daria certo. Ele pode ser um ótimo torcedor, mas não seria um bom jogador, por falta de qualificação, preparo físico e talento. É necessária a figura do profissional que, mesmo não tendo o compromisso do torcedor e podendo mudar de equipe a qualquer momento, é um desportista qualificado e poderá fazer gols e trazer glórias ao clube, enquanto nele estiver.
 
Guardada às devidas proporções, a maioria das entidades sociais brasileiras hoje está jogando com torcedores. Pessoas apaixonadas pelo que fazem, mas sem as qualificações necessárias à obtenção do "lucro" social e dos resultados transformadores. Não quero com isso dizer que elas sejam responsáveis pela existência desse segundo Brasil. Pelo contrário. Mas diante da incompetência histórica dos governos em resolver os graves problemas sociais brasileiros, o Terceiro Setor pode, se adequadamente gerido, contribuir para minizar de forma consistente essa atual realidade.
 
Devemos adotar a mesma lógica empreendedora (não capitalista) do segundo setor, tendo à frente empreendedores, empresários e profissionais qualificados para esse grande desafio. O Brasil pobre precisa se aproximar do Brasil rico, só precisamos de um pouco mais de “competência social”.
 
Leopoldo de Albuquerque
Presidente da ADVB-PE e do Instituto Smart City Business
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