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A burocracia que “emburrece” nossas cidades

O termo “cidades inteligentes” vem se popularizando nos últimos anos. Trata-se de um dispositivo para o plenajamento e gestão inteligente das cidades e uso de tecnologias para melhorar e tornar mais eficientes a infraestrutura e serviços, gerando maior qualidade de vida para seus habitantes.
 
O rápido crescimento das metrópoles cria uma infinidade de problemas de mobilidade, governança, segurança, transporte, água, energia e meio-ambiente, dentre outros, potencializando a carente estrutura das cidades e expondo a fragilidade da gestão pública que, de forma geral, não faz a menor ideia de como gerir o assunto de maneira estruturada e com uma visão de planejamento urbano de longo prazo, ou mesmo com uma noção de consequência da calamidade que se instalará nas cidades brasileiras nos próximos anos, fruto de ações erradas ou mal executadas no presente.
 
Apesar de inúmeras iniciativas de prefeituras brasileiras, em várias áreas, com cases de sucesso que são referência nacional ou até mundial, não vemos ações abrangentes, que integrem áreas e serviços, fazendo uso do potencial tecnológico disponível, do capital social e das redes e grupos constituídos, na busca por soluções amplas e transformadoras.
 
Mudar a mentalidade talvez seja uma necessidade mais urgente do que introduzir tecnologias e investir em infraestrutura básica. Claro que precisamos de ambas, mas mudar a cabeça do “estamento burocrático” brasileiro é nesse momento mais urgente e benéfico.
 
É preciso compreender que as demandas das cidades jamais serão atendidas na velocidade desejada e necessária se não mudarmos para uma gestão de serviços de qualidade, flexível e compartilhada com todos os agentes sociais capazes de ajudar, pois é um trabalho hercúleo, até mesmo para a maior das cidades ou a mais bem organizada prefeitura. Para isso, claro, elas precisarão de mecanismos que dêem aos seus gestores poderes e agilidade, imcompatíveis com amarras que hoje tornam os prefeitos reféns da burocracia “estamental”.
 
Entretanto, um pouco de criativade pode ajudá-los a trilhar esse árduo caminho. Muitas coisas são possíveis apenas com o uso da criatividade e de mecanismos ao alcance de todos os gestores. Vários exemplos isolados são vistos como merecedores de nossa atenção, que podem ser replicados em quaisquer lugares. Uma rápida pesquisa na internet pode surpreender pela quantidade e qualidade de casos de sucesso em várias áreas. Um gestor público, poderia encontrar soluções para quase todos os seus problemas, simplesmente copiando cases dos outros, sem precisar ser original em nada.
 
Outro poderoso instrumento capaz de “revolucionar” a gestão de um prefeito é a parceria. Não apenas a Parceria Público Privada, hoje basicamente utilizada para grandes projetos, estruturais, mas também a parceria em vários níveis sócios-empresariais e para projetos de todas as montas.
 
Um exemplo de parceria social nos foi contada em 2009 por Gilberto Dimenstein, em um de seus artigos, quando relatou a história de um grupo de 20 adolescentes que participaram de uma caça ao tesouro digital, montando um mapa do seu bairro para quem tem pouco dinheiro para o lazer, localizando bandas de músicas, grupos de dança, saraus de poesia, cinemas de becos, estúdios multimídias, bibliotecas, etc. Esse exercício serviu para preparar agentes comunitários de comunicação, todos eles foram chamados a trabalhar por alguns meses em telecentros, num espaço para conectar o bairro, do posto de saúde até a escola, passando por subprefeitura, bibiotecas comunitárias e parques.
 
Esse simples exemplo é o verdadeiro sentido de uma cidade inteligente, onde coloca o cidadão como agente da transformação econômica, urbana e social. Além de ser barato, também é perfeitamente replicável em escala municipal, estadual ou nacional. Outros exemplos, simples ou complexos e em quaisquer áreas desejadas, são abundantes pelo país, só precisa de organização e método para serem estruturados e postos em prática. Talvez, a criação de uma secretaria (ou ministério) do benchmark pudesse ser muito útil nesse objetivo, desde que gerido com a flexibilidade desejada e fora da burocracia convencional.
 
Óbvio, no papel quaisquer sugestões parecem simples e possíveis, mas na administração pública real as barreiras são enormes a todo tipo de ação. Entretanto, é preciso ousar para se conseguir resultados diferentes dos que até então observamos, sob pena de “emburrecermos” nossas cidades e ficarmos para trás na corrida mundial do mais importante processo de transformação urbana da história da humanidade. Ocupará o pódium apenas aqueles que souberem entender o momento e alcançar os melhores resultados.
 
Leopoldo de Albuquerque
Presidente da ADVB-PE e do Instituto Smart City Business
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